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julho 18, 2017

2 000 000 de visitantes!


Hoje mesmo, este blogue, dedicado, com muito gosto e empenho, à reflexão sobre questões da língua portuguesa, atingiu um número mágico de entradas: 2 000 000!

Aqui fica o top 10 do blogue:
1. Brasil
2. Portugal
3. Estados Unidos
4. Angola
5. Reino Unido
6. Moçambique
7. França
8. Espanha
9. Alemanha
10. Japão

Obrigado pela confiança e um grande abraço para todos, especialmente aos amigos brasileiros (68% do total de visitantes).
ProfAP

julho 04, 2017

os media, os média ou os mídia?

A.   Sempre escrevi e ensinei os media, pronunciado com o “e” aberto, como se lá houvesse um acento agudo.
B.   Vários dicionários registam as formas média e media.
C. Os nossos irmãos brasileiros, com sentido prático, criaram os mídia. Nos dicionários de português do Brasil, também encontrei media, sempre sem acento, mas tenho a perceção de que o termo que costumam utilizar é mesmo mídia.

D.   CONCLUSÕES:
1. Não há fundamento para o uso, em Portugal, de mídia, uma vez que é uma palavra confinada ao Brasil.
2. Considerando a diversidade de perspetivas das fontes, parece-me que tanto média como media são opções corretas. Continuo a preferir media, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, que não regista média, ou o Ciberdúvidas. Transcrevo, com a devida vénia, um extrato de uma resposta dada a um consulente:
Mesmo quem diga media, acentuando o e e com valor de plural, não pode usar o acento gráfico, porque está a usar um plural neutro latino, media, cujo singular é medĭu-, «meio». A pronúncia “mídia” é a imitação da que lhe dão os ingleses.” F. V. P. da Fonseca:: 15/06/2007
Revisão da matéria:
Portugal: media e o não consensual média
Brasil: mídia
Bom resto de domingo!
ProfAP
P.s.: Para informações com mais detalhes sobre este assunto, clique AQUI.

junho 28, 2017

Exame de Português não será anulado? Boa, Sr. Ministro!


Defendo um ensino de qualidade estimulador de aprendizagens consistentes que articulem conhecimentos e competências.
Quanto aos exames, nunca fui (nem sou) grande fã. Uma revisão da literatura sobre o assunto não deixa dúvidas. Recorrendo a uma das obras mais emblemáticas neste domínio (“Evaluation continue et examens : précis de docimologie”, de Robert de Landsheere), está lá, preto no branco, que os exames têm o efeito perverso de afunilamento do currículo. Os professores e alunos trabalham os exames e para o que é neles valorizado. À volta dos exames, inventam-se cadernos de exercícios de treino (fonte apetecível de rendimentos para as editoras), explicações “à la carte” para todos os gostos e os famosos e não menos perversos rankings
E os exames não podem ter contrapartidas positivas? Podem, numa única circunstância: se forem bem construídos, com validade e fiabilidade sólidas. Continuará a haver afunilamento do currículo, mas será um afunilamento atenuado pela qualidade do “modelo” que professores, alunos, editoras e explicadores vão replicar até à exaustão. 
Os exames do nosso sistema educativo são de qualidade? Não os conheço todos, mas a ideia que tenho é que se transformaram num ritual complicado, com erros e broncas aqui e ali e critérios de correção que, sob o pretexto atingirem o suprassumo da objetividade, são um verdadeiro suplício de Tântalo para os corretores.
Quando li esta notícia, fiquei de boca aberta:
Apesar das suspeitas de fuga de informação, o Ministro da Educação garante que exame de Português não será anulado ou repetido
O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, garantiu hoje que o exame de Português do 12.º ano, cuja eventual fuga de informação está a ser investigada, não vai ser anulado.
Segundo o ministro, caso se confirme que houve uma fuga de informação, "o ministério agirá civil, disciplinar e criminalmente contra o seu autor ou autores.
"Se alguém saiu beneficiado, sofrerá as consequências previstas no regulamento", declarou.

Ou seja, o Ministro admite a possibilidade de ter havido a fuga de informação, mas não anula o exame, pois o ministério irá castigar os seus autores. E mais: se alguém saiu beneficiado, irá ser descoberto e punido. Ingenuidade ou apenas vontade de não ser "chateado" e ir pra férias como se nada se tivesse passado?
Qual à validade deste exame, estamos conversados!
Já agora, é bom recordar o que disse, em janeiro de 2016, o atual Ministro da Educação sobre o modelo de exames: "errado e nocivo". 
Abraço para todos, em especial para os colegas que andam a vigiar, a corrigir e a secretariar estes maravilhosos instrumentos do complex em que se transformou o trabalho nas escolas desde o reinado da Sr.ª D. Maria de Lurdes Rodrigues!
ProfAP
Imagem da revista VISÂO online.

Os cinco erros mais comuns do português começados por "a"!

A língua portuguesa tem que se lhe diga. Aqui vos deixo cinco casos começados pela letra "a".

ACERCA: esta palavra não tem acento.
AÇORIANO: apesar de se tratar de um gentílico referente aos Açores, escreve-se com "i", açoriano.
ADESÃO: é diferente de aderência.
ALCOOLEMIA...e não alcoolémia.
ANTEPOR: não tem acento, por isso não se deve escrever "antepôr".

Fonte: Jornal de Notícias - LÚCIA VAZ PEDRO (Professora de Português e formadora para a área da língua portuguesa).


Abraço.
ProfAP

junho 27, 2017

terramoto ou terremoto?


Há quem defenda que terremoto é uma grafia brasileira e terramoto a versão para o português europeu. Será assim? 


PORTUGAL
Apenas a Infopedia associa terremoto ao Brasil. Tanto o Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa como o dicionário Priberam validam terremoto e terramoto.

BRASIL
Ao contrário do Vocabulário da Academia Brasileira (que regista apenas terremoto), os dicionários Aulete, Houaiss e Michaelis apresentam verbetes para ambos os termos.

Conclusões:
PORTUGAL e BRASIL
terramoto e terremoto
Nota 1: Embora terramoto seja mais comum em Portugal e terremoto no Brasil, nada impede o falante de usar, cá ou lá, qualquer das grafias.
Nota 2: Ambos os termos provêm do latim terrae motus (movimento de terra).

Abraço.
AP

junho 26, 2017

Qual a palavra mais longa da língua portuguesa?


Há muitos anos, enquanto aluno no liceu, aprendi, com muito interesse, que a palavra mais longa do nosso idioma era "constitucionalissimamente", com 25 letras.
Afinal, há palavras com bastantes mais letras, como vamos ver já a seguir.

Tabela das palavras mais longas da língua portuguesa
10º
Inconstitucionalissimamente
= anticonstitucionalissimamente
27 letras
Oftalmotorrinolaringologistas
= profissionais especializados nas doenças dos olhos, ouvidos, nariz e garganta
28 letras
Anticonstitucionalissimamente
= o mais alto grau de inconstitucionalidade
29 letras
Monosialotetraesosilgangliosideo
= substância presente em medicamentos como o sinaxial e o sygen
32 letras
Hipopotomonstrosesquipedaliofobia
= doença psicológica que se caracteriza pelo medo irracional (ou fobia) de pronunciar palavras grandes ou complicadas
33 letras
Dimetilaminofenildimetilpirazolona
= substância ativa em vários comprimidos para dor de cabeça
34 letras
Tetrabrometacresolsulfonoftaleína
= termo específico da área de química
35 letras
Piperidinoetoxicarbometoxibenzofenona
= substância presente em medicamentos como o Baralgin
37 letras
Paraclorobenzilpirrolidinonetilbenzimidazol
= substância presente em medicamentos como o Ultraproct
43 letras
Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconióticos
= portadores de uma doença pulmonar aguda causada pela aspiração de cinzas vulcânicas
47 letras

Como outras palavras da lista, a vencedora surgiu, como uma palavra fictícia, formada pela amálgama de vários elementos: pneumo- + -ultra- + microscópico + latim silex, -icis, pedra, pedra vulcânica + latim vulcanus, -i, fogo + coniose + ótico. No entanto, vários dicionários de Portugal e Brasil criaram verbetes para o novo termo, sendo o Houaiss (em 2001) o primeiro a fazê-lo, definindo-o o portador de “doença pulmonar (pneumoconiose) aguda causada pela aspiração de cinzas vulcânicas”. Dito de uma forma mais simples, é a silicose.


Abraço.
AP

junho 23, 2017

Põe-se acento em “mês”, mas não em “meses”… Porquê?


Eis as regras estabelecidas no Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil) e no Acordo Ortográfico de 1945 (Portugal) sobre a acentuação das palavras oxítonas (agudas) e paroxítonas (graves) que se mantêm em vigor:


1. Há acento agudo nas palavras oxítonas (agudas) terminadas em a, e e o abertos e acento circunflexo nas que acabam em e e o fechados (seguidos ou não de s).
Sendo mês um vocábulo oxítono terminado em e fechado (seguido de s), terá de receber um acento circunflexo.


2. São acentuadas as palavras paroxítonas (graves) que correspondem aos seguintes critérios:
a) Terminadas em i ou u abertos (seguidos ou não de s). Ex.: íris, júri, bónus (bônus no Brasil);
b) Terminadas em um e uns (álbum, álbuns);
c) Com i ou u tónicos/tónicos que não formam ditongo com a vogal anterior (egoísta, países, saúde, viúvo);
d) Acabadas em l, n, r e x (afável, hífen, açúcar, córtex);
e) Terminadas em ditongo oral (faríeis, jóquei, quisésseis).
A palavra meses é paroxítona, mas não corresponde a nenhum dos critérios acima enunciados. Logo, não há acento.


Abraço.
AP