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fevereiro 28, 2013

.leucémia ou leucemia?

Imagem encontrada AQUI.
 
Embora um bom número de termos de origem grega tenham dado entrada na língua portuguesa como palavras proparoxítonas (esdrúxulas), como, por exemplo, protótipo, estereótipo e logótipo, leucemia não é uma delas. É frequente ouvirmos dizer “leucémia” (sobretudo aos médicos), o que poderá advir de uma contaminação da pronúncia em inglês (“leukímia”).
Em Portugal como no Brasil, a única forma correta é leucemia.
(Do grego leukós, «branco» +haĩma, «sangue» +-ia)
Abraço.
AP

P.s. Depois de ter publicado a mensagem, o leitor Fernando Ribeiro deixou esta informação na caixa de comentários: "A pronúncia usada pelos médicos varia consoante a Faculdade de Medicina que frequentaram. Os médicos formados no Porto e, parece-me, também em Coimbra pronunciam leucemía; os que se formaram em Lisboa pronunciam leucémia. O mesmo se passa relativamente a outras palavras de origem grega."



fevereiro 27, 2013

.Professores de Português: “merceeiros dos tempos verbais”? (Luís Osório)

Não podia ficar indiferente ao artigo de Luís Osório, publicado no semanário “Sol”. Nesta análise (lúcida, acutilante, sem piedade) o autor insurge-se contra o facto de os alunos serem massacrados com conceitos teóricos, não sobrando tempo para o exercício do pensamento, traduzido nas capacidades de expressão escrita e oral…
Tendo lecionado durante 35 anos letivos, sei que a tarefa é árdua para os professores de Português. Afogados numa burocracia estúpida, perdidos em horas de reuniões (de análise de documentos, de planificações, disto e daquilo), com turmas a abarrotar, não lhes sobra tempo para pensar e criar as suas próprias estratégias que permitam que a sala aula seja um verdadeiro espaço de comunicação.


A disciplina de Português é um crime contra o futuro

por Luís Osório

Estudar Português com os meus filhos é uma viagem ao inferno. Faço por disfarçá-lo. Talvez por achar que as dúvidas acabarão por prejudicá-los ainda mais do que a conta a pagar.
 Mas cá para nós. Para os que acreditam que o pensamento deve alargar-se com especulação, sonho, dúvidas. Para os que julgam ser a escrita a melhor ferramenta para se compreender e viajar pela língua que deveríamos defender como soldados de um exército do pensamento. Para os que lêem romances, biografias e ensaios. Para os que escrevem e pensam. Cá para nós, a forma como se ensina Português nas escolas é um crime. Um escândalo. Uma forma, como diz um amigo professor, de criar amputados mentais.
Porque os miúdos não aprendem a ler e escrever. Os miúdos aprendem apenas, e de um modo rápido, a detestar a disciplina e a afastarem-se, para todo o sempre, da leitura e da escrita.
Na disciplina de Português não se viaja pelo pensamento. Atraca-se num lodo de gramática, campo árido para burocratas da língua que são o prolongamento de tudo o resto. Infelizmente, estudar o que deveria ser o centro do que somos, a nossa identidade, faz-me lembrar os dias em que era obrigado a tomar óleo de fígado de bacalhau.
O que queremos? Uma disciplina que nos ensina o que depois esquecemos? Ou uma que estimule o pensamento, que desafie à leitura e à escrita, que desencadeie nos miúdos os mecanismos de intuição que apenas estão ao alcance de quem lê.
Para já tudo mal. As médias em Português são abaixo de medíocres. A maioria dos alunos não sabe interpretar um texto. Não consegue ler um livro e odeia de morte a disciplina – e têm razão para odiar. Então porque não mudar?
O problema está nos professores, oiço. Em alguns estará. É um rolo compressor, um efeito dominó em que, às tantas, os licenciados terminam os cursos a saber de gramática e nada da língua. Como os médicos que sabem de anatomia e depois, porque têm a obrigação de conseguir médias de 19, não têm tempo para o pormenor de conhecer alguma coisa do ser humano.
Em alguns estará. Professores que vêem as suas aulas como um exercício de poder em que, mais importante do que ensinar, mais importante do que alargar horizontes, é o seu próprio poder. Quantas vezes ouvi professores de Português a criticar Saramago por não saber colocar as vírgulas nos lugares certos? Porém, estou em crer que a maioria gostaria que fosse de uma outra maneira. Se pudessem, escolheriam ser o professor do Clube dos Poetas Mortos e não merceeiros de tempos verbais – ainda por cima de tempos verbais pouco ou nada adequados à realidade.
Desculpem-me o desabafo. Uma fuga ao sentido desta crónica semanal. Regra geral, conto histórias de pessoas, pequenos segredos, histórias da História. Hoje, foi um pouco diferente. Penso, ainda assim, em pessoas.
No José Manuel Rodrigues da Silva, primeira referência no jornalismo cultural que ensinou a várias gerações a importância de saber medir o movimento interior, a decisiva importância de conhecer as palavras para melhor utilizar o silêncio.
No António Lobo Antunes que me explicou o quanto o irritavam os que escreviam deixando as ferramentas todas à mostra – quando a escrita, a essência do pensamento era precisamente o da depuração, o exercício da procura do que não existe antes de ser pensado.
Ou de Vergílio Ferreira que a propósito de escrever, escreveu: «Que é escrever? Que é pensar? Quem é o dono do que existiu através de nós? Quem escreve o que escrevemos? Não há outro autor senão o seu autor. Mas há para lá disso o mistério de nós no que foi mistério revelado. Mistério de nós. Mistério da própria língua. Talvez o insinuado modo de ser destino em nós o destino».
Uma conta a pagar, escrevo no primeiro parágrafo. Uma conta colectiva, acrescentaria agora. De homens e mulheres que nascem e vivem cinzentos. Incapazes de ler nas entrelinhas. De imaginar o que não vem nos livros. De criar o que nunca foi criado. De escrever um texto que os faça especiais, que nos ensine alguma coisa, que nos obrigue ao pensamento. Burocratas que ‘marrarão’ nos verbos e nada saberão de uma casa que é de todos. A nossa identidade.
Nunca seria um bom aluno na disciplina de Português. Esqueci-me de tudo o que aprendi, mas quando, aos dez anos, li O Meu Pé de Laranja Lima, algo de indecifrável se abriu à minha frente. Uma urgência de saber, de conhecer, de me surpreender.
E no final de um livro passei a começar outro. Até que um dia, depois de ler O Amante, de Marguerite Duras, sentei-me de frente para as minhas vírgulas, pontos, complementos e predicados. Falou mais alto a urgência de descobrir um caminho, a necessidade de pensar na minha língua, de pensar naquilo que me faz ser único sendo o mesmo que tantos.
O nosso país é a nossa língua. Que é feita de sonho e pedra. Não deixemos as pedras esmagarem o sonho. Se o fizermos formaremos uma elite de pedreiros, mas nunca seremos arquitectos. Ajudaremos a construir os países dos outros, não a sonhar um país feito do que somos. Das nossas entranhas e coração. O destino de Portugal também passará por aqui. Pelo que formos capazes de escrever. De pensar.

Data: 19/02/2013         
Fonte: http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=68507&opiniao=Opini%EF%BF%BDo

fevereiro 26, 2013

.derivado a OU devido a?

DERIVADO DE              DEVIDO A…
 

 
Este é um clássico!
É comum ouvirmos “derivado à chuva”, “derivado ao trânsito”, "derivado à crise", etc.
Os exemplos acima apresentados são causas e significam “por causa de”. Devemos dizer, para exprimir a causa, DEVIDO A.
derivado (adjetivo participial) pede sempre a preposição de. Refere-se à origem e é sinónimo de “(pro)vindo”. Exemplo: Produtos derivados do petróleo.
Conclusão: Em bom português, devemos dizer DEVIDO A e DERIVADO DE.

Abraço.
AP

fevereiro 25, 2013

.esparregata ou espargata?

 
Hoje, para variar, trago-vos um caso tranquilo.
A resposta ao dilema é, sem margem para dúvidas, espargata (do italiano spacatta*1), embora seja comum ouvirmos e lermos esparregata.
Não encontrei a palavra nos dicionários brasileiros. Nem no VOLP da Academia Brasileira. Apenas na internet.
 
Até amanhã.
Abraço.
*1 – Do verbo spaccare (rachar).
 Nota: Sobre esta palavra, pode ler um interessante artigo de Miguel Esteves Cardoso (“Espargata espargueta”) AQUI.

fevereiro 23, 2013

.Nobel pronuncia-se "Nóbel" ou "Nobél"?

Grande Saramago! Imagem encontrada AQUI.


Para todo o mundo da lusofonia, neste caso, parece que não há dúvidas: 
Escreve-se Nobel 
e deve dizer-se “Nobél”.

Em relação a palavras de outras línguas integradas em textos em português, segundo o Ciberdúvidas, “devemos respeitar a grafia dos estrangeirismos, bem como a sua pronúncia.”
No caso de Nobel (nome do senhor sueco – Alfred Nobel – que instituiu o prémio), a pronúncia original é “nobél”.
Nota: Existindo a palavra como nome comum, designando o “prémio que é atribuído anualmente às pessoas que se destacaram pelo seu contributo nos domínios da Física, Medicina, Literatura, Química, Economia e Paz”, o plural terá de ser grafado com acento: nobéis. Exemplo: “Os nobéis são um estímulo importante!” A razão está na Base VIII, ponto 1. b) do Acordo: Acentuam-se com acento agudo: (…) d) As palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados -éi, éu ou ói, podendo estes dois últimos ser seguidos ou não de -s: anéis, batéis, fiéis, papéis; céu(s), chapéu(s), ilhéu(s), véu(s); corrói (de correr), herói(s), remói (de remoer), sóis.”. Esta regra também já vem das reformas de 43 e 45.


Abração!
AP

fevereiro 21, 2013

.duzentas ou duzentos gramas?

Esta é a verdadeira grama e veio dAQUI.
Este é um clássico em Portugal: gramas (unidade de medida), são sempre duzentos, trezentos, quatrocentos e assim sucessivamente.
Sendo verdade que o uso conduz muitas vezes à alteração das regras, contribuindo para que o que hoje é erro passe a ser amanhã a norma, neste caso, não há concessões: grama é do género masculino e ponto final!

Portugal (norma luso-afro-asiática)
Duzentos gramas (género masculino)
Brasil (norma brasileira)
Duzentos/duzentas gramas (masculino/feminino)
Nota: Embora o Houaiss diga que a palavra é do género masculino, tanto o Vocabulário da Academia Brasileira das Letras como outros dicionários (Aulete, Dicionário On-line de Português, Michaelis) registam-na como podendo ser usada no masculino e no feminino.

Abraço.
AP

fevereiro 20, 2013

.item ou ítem?

Imagem encontrada AQUI.
 
1. A grafia correta é item, sem qualquer acento. Com a terminação “em”, apenas as palavras oxítonas (agudas), com mais de uma sílaba, levam acento: também, Belém, contém. Regra estabelecida na Base VIII do Novo Acordo, ponto 1. c), já vigente nos documentos de 1943 e 1945.
2. Quanto ao plural, aplica-se-lhe a mesma regra: itens.
3. Como se pronuncia? Não sendo aceitável a pronúncia “áitéme”, há duas formas de dizer consideradas válidas:
a) À maneira latina: “ítéme”;
b) A forma aportuguesada (que prefiro): “ítem” (como em "irem").
Nota: item vem do latim e significa "também", "do mesmo modo".

Bom serão!
AP

fevereiro 19, 2013

.linguíça ou linguiça?

Imagem encontrada AQUI.
 
O nº1 da Base X do Novo Acordo Ortográfico retoma o que estava estatuído pela Acordo de 1945: As vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas levam acento agudo quando antecedidas de uma vogal com que não formam ditongo e desde de que não constituam sílaba com a eventual consoante seguinte, excetuando o caso de s: adaís (pl. de adail), aí, atraí (de atrair), baú (…), Luís, país, etc.; alaúde, amiúde, (…), baía, balaústre, cafeína, ciúme, egoísmo, faísca, faúlha, graúdo (…) juízes, Luísa, miúdo, paraíso, raízes, recaída, ruína, saída, sanduíche, etc.

Seguindo a regra, teríamos “linguíça”, mas confirma-se, mais uma vez, que não há coisas simples na nossa língua.
Citando o Ciberdúvidas: Os dígrafos gu, qu têm normalmente o som da consoante (ex.: guizo, subs., guiso, forma verbal, quente, etc.). O grafema u, seguido de i ou de e, é um símbolo no grupo, sem som, não independente. Para que o u se pronuncie, é necessário impor essa condição no grupo.
Então, o que nos leva a pronunciar o "u"?
Até meados do século XX, escrevíamos “lingüiça”. O AO45 suprimiu o trema no português europeu (no Brasil, essa abolição ocorreu em 1971 com hiatos como saudade, mantendo-se até janeiro de 2009, data da entrada em vigor do Novo Acordo, nos grupos gu e qu, quando o u era pronunciado, como em agüentar, cinqüenta e lingüiça), mas manteve a pronúncia que as palavras alteradas tinham. Ou seja, se linguiça nunca tivesse tido trema, escrever-se-ia, à luz do nº 1 da Base X do NAO, com acento. Como fazemos, por exemplo, com Suíça.

Este é um daqueles casos em que só o conhecimento pormenorizado da história das reformas nos permite ter a certeza de que devemos escrever, em todo o espaço lusófono, linguiça!
Aqui fica a dica possível: Nas palavras graves (paroxítonas), em geral, não há acento no i que venha a seguir aos grupos gu ou qu: linguiça, linguista.
Como não há bela sem senão, algumas formas verbais conjugadas não seguem a dica. É o caso de delinquíreis (pretérito mais-que-perfeito) e de arguísseis (pretérito imperfeito do conjuntivo).

Abraço.
AP
 
Imagem encontra AQUI. Eis um exemplo da criatividade popular...

fevereiro 18, 2013

.bimensal ou bimestral?

Imagem encontrada AQUI.
 
Esta questão poderia parecer simples, sobretudo seguindo a perspetiva do Ciberdúvidas:
A. Bimensal - Que acontece ou se publica duas vezes por mês. O mesmo que quinzenal.
B. Bimestral - Que se realiza ou se publica de dois em dois meses.
No entanto,  a  consulta de dicionários de referência (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, Aurélio e Grande Dicionário, da Porto Editora) mostra que:
1. Em bimensal, há unanimidade em relação ao sentido apresentado pelo Ciberdúvidas. Encontrei ainda bimensário como sinónimo.
2. Quanto a bimestral, confirma-se o sentido apresentado no Ciberdúvidas, mas... também é apresentado como sinónimo de bimensal.
 
CONCLUSÕES A RETER:
1. Para dizer duas vezes por mês (ou de quinze em quinze dias), deve escrever BIMENSAL.
2. Querendo referir-se a algo que acontece  de dois em dois meses, pode dizer BIMESTRAL ou BIMENSAL. Por uma questão de clareza, vou continuar a optar por bimestral.

Abraço do AP.

fevereiro 17, 2013

.tângera, tanja ou tânjara?

Lindas, no meu quintalão! O mamilo (visível no topo do fruto da direita) é a marca inconfundível desta espécie.

Se Deus criou os citrinos, os homens, na ânsia de novidades, misturaram-nos e fizeram os híbridos.
Um dia, há cerca de 3500 anos, algures no sudoeste da Ásia, o acaso pôs frente a frente uma máscula e robusta toranja e uma delicada e irresistível tangerina. Como seria de esperar, a natureza fez o resto: cruzaram-se uma, outra e mais uma vez! E nascia assim, doce, suculento e muito fácil de descascar, o novo fruto daquele amor consumado.
Que nome dar à nova criatura de inspiração humana? A língua portuguesa entrou em ação e, criativa, multiplicou as hipóteses, social e geograficamente. Em Portugal, convivem tângera (presente em todos os dicionários), tanja (de cariz mais popular) e a pouco conhecida tânjara.
E no Brasil? Não encontrei nenhum dos termos lusos nos dicionários disponíveis online… Uma pesquisa na internet conduziu-me até à designação tangelo. Também não está nos dicionários, mas o VOLP da Academia Brasileira de Letras…regista-a. E as semelhanças com os progenitores são óbvias: tang (da mãe tangerina) + elo (do pai pomelo, termo equivalente a toranja).

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
tângera, tanja e tânjara
Brasil (norma brasileira)
apenas tangelo

Abraço.
AP

fevereiro 16, 2013

.E o plural de azul-claro é...

Fonte da imagem: AQUI.

Desafio:  Qual o plural de azul-claro?
a) azul-claro?        
                         b) azuis-claro?         
                                                     c) azul-claros?       
                                                                                d) azuis-claros?

Este é aparentemente um desafio com resposta simples. Sê-lo-á? Vamos ao nosso “romance”.

INTRODUÇÃO
Diz-se no Ciberdúvidas que “O plural dos nomes compostos é, por vezes, complicado e um tanto controverso. É, pois, difícil expor regras sendo todas definitivas. (…)
“Apesar de haver regras para formar o plural dos nomes compostos de dois substantivos ligados por hífen, há tendência para os pôr ambos no plural.(http://www.ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=3753)   A coisa promete!

CAPÍTULO I
Consultando a Nova Gramática do Português Contemporâneo (Celso Cunha e Lindley Cintra), pode ler-se, na página 253:
Plural dos adjectivos compostos.
Nos adjectivos compostos, apenas o último elemento recebe a forma de plural:
                          consultórios médico-cirúrgicos
                          institutos afro-asiáticos
                          letras anglo-germânicas
Observação:
Exceptuam-se
a) surdo-mudo, que faz surdos-mudos;
b) os adjectivos referentes a cores, que são invariáveis quando o segundo elemento da composição é um substantivo:
uniformes verde-oliva   cenários amarelo-ouro
saias azul-ferrete         blusas vermelho-sangue
Notas minhas:
1. Além de surdo-mudo, há outras exceções como trabalhador-estudante ou autor-compositor.
2. Várias outras fontes seguem a mesma orientação. É, por exemplo, o caso do blogue http://portuguesdeverdade.blogspot.pt/search/label/adjetivos%20compostos.
Pelo que fica exposto, parece inequívoco que o plural correto está na alínea c) azul-claros.
Assunto encerrado? Calma, calma, meus senhores! Quem disse que a língua portuguesa é simples? Passemos ao capítulo II.

CAPÍTULO II
1. Lance uma pesquisa com azul-claro no Portal da Língua Portuguesa e obterá esta informação:
Resultados da pesquisa
adjetivo

nome masculino

2. Clique em azul-claro adjetivo e lerá:
Masculino
Feminino
Singular
azul-claro
azul-clara
Plural
azul-claros
azul-claras
O assunto parece definitivamente encerrado… Passe ao ponto 3.
3. Clique em azul-claro nome e prepare-se...
singular
azul-claro
plural
azuis-claros
CONCLUSÃO:
Pode haver duas respostas:
a) Se for um adjetivo, a resposta certa é a c) azul-claros. Exemplo: Os meus olhos são azul-claros.
b) Se for um nome, a resposta correta é a d) azuis-claros. Exemplo: Os azuis-claros predominam na minha pintura.

Abraço para todos.
AP

fevereiro 14, 2013

.soutien, sutiã, ampara-seios ou mamilar?

Era assim em 1913...  Fonte: AQUI.

Temos hoje um assunto “mamilar” muito interessante.
Embora a ideia tenha sido da francesa Herminie Cadolle (em 1889), com o nome “bien-être”, a patente da mais conhecida peça de roupa interior feminina foi registada, há quase 100 anos, em 1914, pela norte-americana Mary Phelps. Sem grande sucesso, acrescente-se.
Com as invenções, surgem as palavras. Assim, "soutien-gorge" entra no dicionário Larousse no início do século XIX, em 1904.
Ao longo dos tempos, foram várias as propostas para substituir, na língua portuguesa, o estrangeirismo encurtado “soutien”: o ternurento “ampara-seios”, o estranho “estrófio” e o divertido “mamilar”. Consultando a edição de 1913 do Novo Dicionário de Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo) a única palavra registada é… mamilar. Definição: “Espartilho, faixa, ou lenço, com que as mulheres velam o peito. (Lat. mamillare)”.
Nenhuma das propostas vingou e o “soutien” sobreviveu no uso e nos dicionários.
A partir do estrangeirismo, surgiu o aportuguesamento sutiã. Não consegui descobrir em que data surgiu a adaptação, mas parece-me que terá sido o Brasil a introduzi-la.

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
sutiã (forma preferencial) ou soutien (em itálico ou entre aspas)
Brasil (norma brasileira)
apenas sutiã

Abraço.
AP


fevereiro 12, 2013

.Um copo de água ou um copo com água?

Fonte deste copo de água: AQUI.
 
Ambas as expressões podem ser usadas, mas para dizer coisas diferentes.

A. Copo de água
Para a generalidade dos autores, é a expressão a utilizar num pedido e significa um copo cheio de água. “Pode trazer-me um copo de água, por favor?”
Expressão correta. E caso  de metonímia, em que se emprega o continente pelo conteúdo. Há quem procure, pretensiosamente, corrigir a frase, dizendo copo com água.”, refere o Ciberdúvidas, citando o brasileiro Vittorio Bergo, em Erros e Dúvidas de Linguagem (Editora Lar Católico, Juiz de Fora, Minas Gerais, 1959).
B. Copo com água
Escolhi duas interpretações.
– “faz referência ao contéudo, isto é, afirma-se que o copo contém água e não outro líquido qualquer.” (Edite Estrela, Falar Melhor, Escrever Melhor, Selecções do Reader’s Digest, 1991).
– “quando pedimos um copo com água, o uso estabeleceu que pretendemos um copo com alguma água;” (Rodrigo de Sá Nogueira, Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem, Livraria Clássica Editora, Lisboa,1995).

Notas:
1. Aplica-se o mesmo procedimento a outras expressões conhecidas: caixa de/com fósforos; cálice de/com licor; garrafa de/com cerveja; frasco de/com perfume; etc.
2. Temos também copo para água (copo destinado a por ele se beber  água).

Já a seguir, irei brindar à vossa saúde com um copinho… de moscatel (de Setúbal, como não poderia deixar de ser!)

Abraço.
AP