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dezembro 31, 2014

Qual a origem da palavra ARROZ?

E que tal um arroz de favas? Veja AQUI!

O desenvolvimento da produção de arroz em Portugal teve lugar no século XVIII, mas não se sabe quando foi introduzido o seu cultivo, levantando-se a hipótese de terem sido os Árabes a fazê-lo.
É um dos alimentos mais importantes para a população mundial, sendo Portugal é o maior consumidor de arroz da Europa. Em média, cada português consome 17 kg por ano!

E qual a origem da palavra?
Não havendo unanimidade entre as fontes, quase todas vão no mesmo sentido:
Arroz vem do árabe ar-ruz.

Abraço e boas entradas em 2015!
AP

Fontes:
Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de JP Machado.
Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.

dezembro 30, 2014

Qual a melhor regra de ortografia da língua portuguesa?


À partida, uma boa regra de ortografia é aquela que não admite exceções. Com esse critério, teríamos uma lista de hipóteses à escolha. No entanto, tão importante como não terem exceções é as regras serem enunciadas de forma simples e de fácil compreensão para os utilizadores da língua.

Dito isto, apresento a minha escolha. A regra foi introduzida com a Base XXVI do Formulário Ortográfico de 1911 (adotada pelo Brasil de forma definitiva apenas 20 anos mais tarde):

Todos os vocábulos cuja sílaba predominante seja a antepenúltima terão essa sílaba marcada com o competente acento escrito; ex.: sábado(s), câmara(s), cédula(s), pêssego(s), sêmola(s), concêntrico(s), título(s), íntimo(s), pródigo(s), cómodo(s), etc.
 
DITO DE OUTRA FORMA:
Todas as palavras proparoxítonas (esdrúxulas) passaram a ter acento gráfico, o que se mantém na atualidade.

Abraço.
AP
Imagem encontrada AQUI.

dezembro 29, 2014

Qual a origem da palavra URTIGA?

As minhas urticas na horta, lindas e prontas para as sopas...

Esta é uma das palavras da língua portuguesa que já tinha dupla grafia antes da aplicação do Novo Acordo Ortográfico: urtiga ortiga (grafia menos vista, mas utilizada em documentos desde o início do século XIV).
E de onde vem a designação desta interessante e pouco aproveitada espécie botânica?

Tanto urtiga como ortiga vêm do latim urtīca-.
Nota: Enquanto em urtiga/ortiga o c evoluiu para g, temos outras palavras da mesma família que se mantiveram mais próximas do latim: urticação, urticante, urticar.

Abraço.
AP

dezembro 27, 2014

Que significa a interjeição SUS?

A origem da expressão sus é controversa. Há quem diga que  é uma interjeição antiga «de origem expressiva», que nada tem que ver com a expressão latina sus, que significa «de baixo para cima», e quem defenda, por outro lado, que a expressão tem, efetivamente, origem nessa expressão latina.
Se há divergências em relação à origem, há consenso relativamente à significação, sendo que é uma expressão que pretende «infundir ânimo; eia, coragem», que «exprime incitação».
A expressão é equivalente a «ânimo!» ou «avante!», o que se verifica no Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente: «Companheiro — Ora, sus! que fazes tu? / Despeja todo esse leito!»/, «Diabo— Sus, sus! Demos à vela!»
Fonte: Ciberdúvidas.

Sus, sus, amigos internautas, que tristezas não pagam dívidas!
Abraço.
AP

P.s.: A amiga Rita chamou-me a atenção para a letra da introdução do hino do Brasil, onde consta esta interjeição:
Servi o Brasil sem esmorecer, com ânimo audaz
 Cumpri o dever na guerra e na paz
 À sombra da lei, à brisa gentil
 O lábaro erguei do belo Brasil
 Eia! sus, oh, sus!

dezembro 26, 2014

Qual a origem da palavra BANANA?


Com origem no Sudeste Asiático, a banana é mencionada pela primeira vez em textos budistas de 600 A.C. e terá sido levada pelos colonizadores portugueses para o Brasil e para a costa ocidental africana nos séculos XV e XVI.
No entanto, o fruto permaneceu desconhecido durante muito tempo para a maior parte da população europeia. Daí que Júlio Verne, na obra “A volta ao mundo em oitenta dias” (1872), a descreva detalhadamente, pois sabia que grande parte dos seus leitores a desconhecia.
 
                                                     Quanto à origem da palavra:
Segundo a Infopédia, vem do árabe banána, («dedo»)
Nota: O nome terá sido dado pelos árabes traficantes de escravos. As bananas que cresciam na África e Sudeste da Ásia eram pequenas se comparadas às de hoje. Conta-se que eram do tamanho de um dedo e por isso teriam usado o nome banána, palavra árabe para dedo.

Fontes:

Abraço.
AP

dezembro 24, 2014

Comemoramos o Natal OU o natal?

 
Neste dias de desejos natalícios, assistimos a diferentes usos da maiúscula e minúscula em palavras que todos conhecem: “Feliz natal” a par de “Feliz Natal” e “Pai Natal” em alegre convívio com “pai natal”. Afinal, o que determinam as regras?

REGRAS:
1. Natal ou natal?
Se nos referirmos à comemoração do nascimento de Jesus Cristo, teremos de escrever Natal, pois a letra maiúscula inicial é usada "nos nomes que designam festas ou festividades". Exemplo: Bom Natal!
No entanto, se usarmos a palavra como adjetivo, é obrigatória a minúscula. Exemplos: terra natal; país natal.
2. Pai Natal ou pai natal?
Devemos escrever Pai Natal, pois a maiúscula deve ser usada "nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos”.
Obs.: Nestes casos, o AO90 nada altera, mantendo o que as regras de 1945 determinavam.

Muitas prendas no sapatinho!
AP

dezembro 19, 2014

O ou A síndrome de Down?

 
Síndrome vem do grego syndromé («reunião; conjunto») e tem como sinónimo síndroma.
É frequente ouvirmos dizer quer “o síndrome” quer “a síndrome”. É correto usarmos os dois géneros?
 
Tanto síndrome como síndroma derivam de um nome (substantivo) feminino grego, pelo que devem manter o género feminino em português. O uso do masculino poderá ser uma influência do equivalente francês, que é do género masculino (le syndrome).

CONCLUSÃO:
Deve dizer-se:
 a síndrome (ou a síndroma) de Down
Nota: Existe ainda outra variante (registada nas fontes brasileiras e portuguesas) do género masculino: o síndromo (do grego sýndromos, «que correm juntos»).
Fontes: Infopédia e http://www.flip.pt.

Abraço.
AP
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dezembro 15, 2014

Dizer “certo e determinado" é incorreto?

 

A sequência “certo(a)/s e determinado(a)/s” (como em “certas e determinadas pessoas”) parece um modo de expressão pouco cuidado e redundante, dado não haver grande diferença de sentido entre “certo” e “determinado” (determinantes indefinidos em Portugal e pronomes indefinidos adjetivos no Brasil).
Numa recente resposta do Ciberdúvidas, podemos ler: “Refira-se que a sequência «certo e determinado», associada a um substantivo, é fórmula ou expressão fixa que se atesta pelo menos desde o século XVIII.

Assim sendo:
A sequência “certo e determinado”
está correta!

Abraço.
AP
 
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dezembro 11, 2014

.Qual a origem da palavra ALFERES?

 
No cumprimento do serviço militar na Força Aérea Portuguesa (já lá vão uns bons anitos!), tive o posto de alferes-miliciano. Em Portugal, como noutros países, alferes é uma graduação militar, correspondendo normalmente a um posto das categorias de oficial subalterno.
Mas será que, na origem, a palavra alferes tinha o mesmo sentido que tem hoje?

O Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (Machado, J. P., 1977) atesta o substantivo alferes como sendo um substantivo que tem origem no árabe al-fāris, que significava «cavaleiro, escudeiro». Segundo o mesmo autor, «era costume confiar o estandarte real ao ginete (cavaleiro) mais destro».
Fonte: Ciberdúvidas.
 
 
Abraço deste vosso ex-oficial subalterno!
AP
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dezembro 10, 2014

.cheíssimo OU cheiíssimo?


A língua portuguesa é mesmo assim: quando menos se espera, uma dúvida, uma dificuldade, um impasse. Uma ex-aluna enviou-me um email com a pergunta que dá corpo ao artigo de hoje. Para responder, recorro, como faço com alguma frequência, ao imprescindível Ciberdúvidas.

"Considerando que o radical de cheio é che- (o i corresponde a um fenómeno fonético de epêntese, que passou para a pronúncia-padrão e daqui para a ortografia), tem sentido o que nos diz e, portanto, poderia defender-se que o superlativo de cheio é cheíssimo, porque ao radical che- se associa o sufixo -íssimo. Esta forma tem uso, mas os gramáticos recomendam, no entanto, a forma cheiíssimo, alinhando cheio com os adjetivos terminados pela sequência átona -io (p. ex., sério + íssimo seriíssimo)."
CONCLUSÃO: É aconselhável escrever cheiíssimo.
                               Pela mesma razão, devemos escrever cheiinho.

Um abraço cheiinho de afeto para todos os leitores!
AP
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dezembro 09, 2014

.jihadista OU jiadista?

 
Mesmo quando tentam, de forma metódica e regular, integrar as novas palavras (criadas, importadas ou adaptadas) que os utentes usam nas suas interações linguísticas, os dicionários ficam sempre aquém da realidade.
As ações radicais do denominado Estado Islâmico, sendo uma ameaça para a paz e para os direitos humanos, trouxeram para o discurso novas palavras e dúvidas sobre grafias a adotar. É o caso de hoje: jihadista ou jiadista?

Nem o Portal da Língua Portuguesa nem a Academia Brasileira de Letras dão ainda abrigo a estes termos. O mesmo acontece com os dicionários brasileiros. Quanto aos dicionários lusos, apenas os disponíveis online (Infopédia e Priberam) criaram muito recentemente novos verbetes.
Para responde à dúvida de hoje, socorro-me do Ciberdúvidas, que tem uma posição clara sobre assunto, apresentado uma fundamentação consistente.
 
CONCLUSÕES:
A grafia correta é jiadista (e jiadismo e jiade)
Notas:
1. As grafias apresentadas, resultantes da adaptação do estrangeirismo inglês jihad, são as únicas que têm lógica, uma vez que não há na língua portuguesa, desde a reforma ortográfica de 1911, palavras com h entre duas vogais.
2. O recém-publicado Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa, de Adalberto Alves, vai no mesmo sentido com as entradas  jiade e jiadismo.

Abraço cheio de paz e tolerância.
AP


dezembro 07, 2014

.Qual a origem da palavra FAISÃO?

Linda faisoa, nascida este ano. Pode viver até 20 anos…
 
Da família dos perus, pavões e galinhas, e com mais de 40 variedades, o faisão é originário da Ásia, tendo sido introduzido na Europa na Idade Média.
 
A designação FAISÃO tem origem no grego phasianós, (ou seja, ave do Phásis, rio que desagua no Mar Negro), pelo latim phasiānu-.
Abraço.
AP

dezembro 05, 2014

.Como se pronuncia o topónimo SARAGOÇA?


Há alguma oscilação na pronúncia do nome da cidade espanhola de Saragoça. Há quem pronuncie “Saragóca” e também quem diga “Saragôça”. É indiferente pronunciar de uma ou de outra maneira ou a norma estabelece uma regra?

Numa das respostas publicadas no Ciberdúvidas, podemos ler que “no Vocabulário da Língua Portuguesa (1966), Rebelo Gonçalves apresenta a palavra com a indicação de "ô" fechado.
Segundo a Infopédia, também o nome (substantivo) comum saragoça (tecido grosso de lã, fabricado, primitivamente, na cidade espanhola de Saragoça) se pronuncia com "ô" fechado.

CONCLUSÃO:
Saragoça deve pronunciar-se “Saragôça”!

Abraço.
AP
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dezembro 04, 2014

.Uma rajada de (des)"acórdos"...

Uma rajada de (des)acórdos

Uma vez, duas vezes, três vezes seguidas, em menos de meio minuto. Uma verdadeira rajada num dos plurais mais vezes mais mal ditos por jornalistas, políticos e políticos-comentadores. É o caso do triplo tropeção do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, aqui no papel de comentador político na SIC Notícias. Que tal repetir três vezes seguidas a forma correta (/acôrdos/, /acôrdos/, /acôrdos/)? Pode ser que resulte... para sempre.

Texto de José Mário Costa, Ciberdúvidas (Rubrica "Pelourinho).

dezembro 01, 2014

.FACTO e FEITO: irmãos biológicos?

Um dos grandes FEITOS do século XX!

Mais um caso interessante que a história da língua portuguesa nos proporciona. Podemos dizer que o que hoje é diferente já foi igual na origem. Tudo começa no latim com FACTUM, particípio passado substantivado do verbo facere.
Se FACTUM significava «facto, acção, trabalho, obra, feito», a evolução segue dois caminhos distintos e cria duas palavras (nomes/substantivos) diferentes:
a)   pela via popular, feito;
b)  pela via erudita, facto (fato no Brasil).

CONCLUSÃO: FACTO e FEITO, filhos do latim, são mesmo irmãos de sangue!
Fonte: Ciberdúvidas.

Abraço.
AP
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novembro 28, 2014

.De onde vem a palavra SÁBADO?

 

Não são unânimes as opiniões em relação à origem da palavra sábado. Embora haja quem situe essa origem no árabe, o mais provável é os dias da semana terem origem no sistema judaico-cristão, como defende o Ciberdúvidas.
A nossa palavra sábado tem origem remota no hebreu «sahabbat» (repouso, descanso), que entrou em português pelo latim «sabbatu(m)».
O primeiro sábado era o nosso actual domingo. O segundo sábado era a nossa actual segunda-feira, e assim até sexta-feira. O nosso actual sábado era apenas «sahabbat» no hebreu («sabbatum» em latim).
Note-se que, tanto «sahabbat» (hebreu) como «feria» (latim) significam descanso. Parece, pois, muito mais lógico haver influência hebraica do que moura. Note-se que os mouros habitaram principalmente o Sul (lembremo-nos do bairro da Mouraria em Lisboa); e não o Norte, onde nasceu Portugal. Lembremo-nos de que, mais ainda para o Norte, na Galiza, há as designações de «carta feira», «quinta feira» e «sesta feira» ao lado de mercoles, xoves e vernes.
Parece mais lógico os nomes dos nossos dias da semana terem origem no sistema judaico-cristão do que no árabe.
Fonte: Ciberdúvidas.

Que o dia de amanhã seja um ótimo sábado para todos!
AP
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novembro 24, 2014

.glicémia OU glicemia?


Este tipo de palavras terminadas em -emia é, na maioria das vezes, de origem grega. O étimo – aima – é grego, significa sangue e é componente destas e de outras palavras com terminação semelhante. (…)
Na língua de origem, aimía (aima +sufixo -ia) tem o acento tónico no i.
Ora, mandam as normas que, ao importar termos estrangeiros, a língua importadora seja fiel à etimologia, conservando a acentuação de origem.
Sendo assim, embora esteja cada mais generalizada a outra forma de pronunciar estas palavras, o correcto será ler e escrever: glicemia, leucemia, alcoolemia, acentuando o i.In http://www.algodres.com/02/02.1.2.1.htm

Questão resolvida? De maneira nenhuma! O que é afirmado na extrato acima transcrito é válido a 100%... mas apenas para o Brasil!
Sendo verdade que a etimologia justificaria que palavras como glicemia fossem paroxítonas (graves), em Portugal, a coexistência, nalguns casos, de duas pronúncias leva os dicionários e o Portal da Língua Portuguesa a validá-las.

CONCLUSÕES:
PORTUGAL
BRASIL
glicemia (grafia preferencial)
ou
glicémia
apenas glicemia
(Os dicionários brasileiros e a Academia de Letras são unânimes)

Abraço.
AP
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novembro 19, 2014

.nádega OU nalga?

 
Este é um caso muito interessante em que as duas palavras têm a mesma origem, mas distintos percursos de entrada na nossa língua. Curioso é o facto de encontrarmos também duas grafias no latim: nates (latim clássico) e natĭca- (latim popular).

NÁDEGA
Do latim vulgar natĭca-, derivado do latim clássico nates.
Séc. XIV: “…mandoulhes reer a meatade das barvas, e mandou-lhes talhar as vestiduras ataa as nadigas”.
NALGA
A origem da palavra é a mesma (natĭca-, nates). A dúvida é como terá entrado na língua portuguesa.
1. Poderá ser uma alteração popular, através da suavização fonética. É mais fácil dizer “nalga” do que “nádega”.
2. Será um castelhanismo? No espanhol, não existe o termo “nádega”, mas apenas “nalga”, cujo processo de evolução é natis, natica à nadiga à nalga.
Em português, já se atesta o termo no séc. XVI: “…o Mouro com a acostumada crueldade, o mandou lançar no chão & dar-lhe muitas pancadas nas nalgas, & nas plantas dos pés…

Parece que “chegar a roupa ao pelo” ao cristão já era apetecível na época…
FONTES
.Dicionários Priberam e Infopédia.
.Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (JP Machado).

Abraço.
AP
Imagem adaptada dAQUI.