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abril 25, 2017

“25 de abril” OU “25 de Abril”?

Onde está a flor de capuchinha, vejam um cravo. Quanto à pressão de ar, imaginem uma G3...

A resposta à pergunta de hoje depende de duas coisas.

A. Se usa o AO90:
As duas formas são certas, dependendo do contexto.
Como os meses do ano passaram a ser grafados com minúscula, enquanto data, deve escrever-se "abril":
Mas, tratando-se do “25 de Abril”, emprega-se maiúscula, como devemos fazer com os nomes de festas e festividades (regra de 1945 não alterada pelo AO90).   
Assim sendo: 
Hoje, 25 de abril, celebra-se o 25 de Abril.

B. Se segue as regras do AO45:
25 de Abril, sempre!

Abraço e bom “25 de Abril”!
ProfAntónio

abril 22, 2017

Faz sentido dizer SETORA?


Ao contrário do que se possa pensar, o termo setor/a (com a variante stor/a) não é destituído de sentido. Embora não esteja registada nos dicionários, faz parte da linguagem oral e é uma das palavras mais utilizadas nos meios escolares.

Quanto à formação, “a palavra stora, ou setora, é uma amálgama com origem na forma de tratamento senhora doutora.” (Ciberdúvidas)

Esta é uma boa aplicação prática da máxima de Fernando Pessoa: «A linguagem fez-se para que nos sirvamos dela, não para que a sirvamos a ela.»

Abraço e bom fim de semana, em particular para todos os stores e storas!
ProfAntónio

A propósito do Sporting-Benfica, de onde vem a palavra DÉRBI?


Nota prévia: Como acontece com todas as palavras graves terminadas em i e u (seguidos ou não de s), como é o caso de penálti, júri ou bónus, é obrigatório uso de acento em dérbi, aportuguesamento de derby (a usar entre aspas ou em itálico).
Quanto à origem da palavra, dou a palavra ao imprescindível Ciberdúvidas:
A palavra "derby" – ou dérbi, segundo o aportuguesamento da palavra original inglesa, proposto pelos dicionários Houaiss e da Academia das Ciências de Lisboa – aplica-se ao futebol para determinar um jogo entre duas equipas da mesma cidade. Entre duas equipas da mesma cidade, e não entre duas equipas de cidades diferentes, como por erro se lê e ouve por aí...
Embora existam várias teorias, a que reúne maior consenso situa a origem na cidade inglesa de Ashbourne, no Derbyshire, onde desde a Idade Média se disputa na Terça-Feira Gorda e na Quarta-Feira de Cinzas (Carnaval) um jogo que envolve toda a população, dividida em representação das duas margens do rio Henmore.
O jogo consiste em conduzir uma bola (ou algo parecido) até às balizas, situadas em cada extremidade da povoação, a cerca de três milhas uma da outra...
Este é o único dos muitos "derbies" carnavalescos da Idade Média, em que valia tudo e acabavam invariavelmente em gigantescas zaragatas, que resistiu até hoje.
O “Royal Shrovetide Match” é o grande cartaz turístico anual de Ashbourne: o pontapé de saída é dado às 2 horas daqueles dois dias, junto ao supermercado no centro da cidade.

Abraço e venha o dérbi mais logo.
ProfAntónio
Imagem encontrada AQUI.

abril 19, 2017

“Hat-trick” de Cristiano Ronaldo arrasa alemães! Mas o que é isso do “hat-trick”?


A locução “hat-trick” (com a variante “hat trick”), é muito utilizada no futebol. Não havendo uma tradução satisfatória, deveria estar registada nos dicionários como estrangeirismo. No entanto, só a encontrei no dicionário Priberam: “Conjunto de três golos marcados no mesmo jogo por um jogador.
Quanto à origem, são várias as hipóteses.
No desporto, o “hat-trick” surge pela primeira no críquete, em 1879, designando três “wickets” consecutivos. O “wicket” corresponde a grupo de três paus verticais unidos por barras horizontais chamadas “bails”, defendido pelo batedor. Se um defesa conseguir acertar num desses paus, o batedor é eliminado. Cada vez que um pau é derrubado, o defesa faz um “wicket”. Três “wickets” correspondem a um “hat-trick”. Ou seja, o que está associado hoje aos avançados começou por ser uma estratégia dos defesas.
A partir dos primeiros anos do século XX, a expressão alargou-se a outros desportos, nomeadamente ao hóquei no gelo no Canadá, havendo um registo de 1941. Parece que quando um jogador marcava três golos no mesmo jogo, os espectadores comemoravam o feito tirando os chapéus e atirando-os para a pista de gelo.
No entanto, o mais provável é que a origem do “hat-trick” esteja, antes da entrada no desporto, em meados do século XIX, no truque (“trick”) do mágico a tirar objetos de dentro do chapéu (“hat”). 
Como se chega do chapéu do mágico de 1860 a CR7 não sei, mas é inegável que magia nos pés não lhe falta e tira coelhos da cartola quando menos se espera...

Abraço para todos, mas em especial para a magia do nosso Cristiano Ronaldo!
ProfAntónio
Imagem encontrada AQUI.

abril 18, 2017

"Louvemos o Senhor" ou "Louvemos ao Senhor"?


Mais um caso a provar que a língua portuguesa não é pera doce.
Para a questão de hoje, o site https://www.flip.pt/Duvidas-Linguisticas dá-nos a resposta:
“O verbo louvar, no sentido de “enaltecer”, é habitualmente usado como transitivo directo, isto é, selecciona geralmente um complemento que não é regido por preposição (ex.: louvemos o Senhor), mas pode também ser usado com o complemento directo introduzido pela preposição a (ex.: louvemos ao Senhor), pelo que ambas as frases (...) são consideradas correctas.”

Abraço a todos.

ProfAntónio

abril 17, 2017

Informo V.Ex.ª QUE ou DE QUE?

Mais um caso a pedir a máxima atenção no momento de escrever (ou falar). Esta resposta do Ciberdúvidas, de 1997, estabelece uma regra fácil de seguir.
Dizemos informar alguém «de alguma coisa», «acerca de alguma coisa», «a respeito de alguma coisa».
Sempre a preposição de, quando dizemos a entidade que informamos e aquilo de que a informamos. Sendo assim, o correcto é:
a) Informo V.Ex.ª de que hoje falto ao serviço.
V. Ex.ª é o complemento directo de informo.
De que hoje falto ao serviço é o complemento circunstancial de assunto de informo. É uma oração integrante.
Quando a frase não menciona a entidade a quem informamos, não se emprega a preposição de, porque a oração integrante passa a desempenhar a função de complemento directo:
b) Informo que hoje falto ao serviço.

CONCLUSÃO:
Se a entidade que informamos:
1. está referida, diz-se “informo de que”: 
                     INFORMO V.EX.ª DE QUE VOU FALTAR.
2. não está referida, diz-se “informo que”: 
                     INFORMO QUE VOU FALTAR.

Informo que desejo a todos uma boa semana!
ProfAntónio

abril 16, 2017

Estamos na época PASCAL ou PASCOAL?


Como a história das vidas de cada um de nós, a das línguas também tem os seus quês. Numa reação a quente, diremos, sem hesitar, que PASCAL é a resposta certa e que teremos de deixar o PASCOAL como nome de alguém ou de algo, como o famoso bacalhau…
No entanto, uma resposta dada no Ciberdúvidas reorienta-nos o raciocínio:
é indiferente: pascal e pascoal são sinónimos. Ambos querem dizer «da Páscoa ou referente a ela». O facto de estarmos habituados a ouvir uma forma em nada invalida o emprego de uma outra que lhe seja sinónima. Na verdade, e de acordo com José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, será mesmo o termo pascoal a estar mais próximo da origem latina, presumindo que pascal seja sua variante.
As situações em que não é indiferente escolher um termo ou o outro são aquelas em que pascal significa, em física, «unidade de pressão no sistema internacional, equivalente a dez bárias», ou, em informática, «linguagem de alto nível criada especialmente para o ensino da programação, sendo também adequada para aplicações comerciais», ou, ainda, quando é um adjectivo «referente a pasto», conforme nos diz, por exemplo, o Dicionário da Porto Editora.

RESPOSTA:
A época é PASCAL, mas também PASCOAL!
Obs.: Tanto num caso como no outro, sempre com minúscula, uma vez que se trata de adjetivos.

Abraço e boa Páscoa (com maiúscula) para todos!
ProfAP